Meu nome é Dolemite! Era assim que ele se apresentava, mas também poderia ser meu nome é José ou meu nome é Antônio ou tantos outros nomes que identificam alguns brasileiros, pois assim como nós o artista também se virava nos trinta para colocar comida na mesa.
Na verdade, o protagonista da película chama-se Rudy Ray Moore (Eddie Murphy) e Dolemite é seu nome artístico. Ele já fez de tudo um pouco para sobreviver como cantar, dançar, mas no inicio da obra apresenta-se como gerente de uma loja de discos.
Inconformado com o anonimato, ele encontra inspiração em um grupo de mendigos do bairro que contam suas historias através de rimas e textos repletos de palavrões e sacanagens, bem ao estilo do comediante Ary Toledo.
A partir daí, ele começa a montar esquetes de stand-up seguindo a mesma lógica e dinâmica, além de gravar discos, onde o politicamente incorreto é o fio condutor da narrativa e assim, vê seu nome voltar a circular e estar na boca da comunidade negra americana.
Aos poucos, Rudy foi montando sua trupe e com ela realizou grandes feitos, como oito filmes de aventura e baixo orçamento, mas nesta obra são retratados os perrengues do grupo para fazer o primeiro deles, desde encontrar atores, profissionais da equipe técnica que trabalhassem de graça e na “brodagem” até financiamento para concluir o longa-metragem, além de estratégias de distribuição deste.
Acostumado com nãos durante toda a sua vida, mais do que nunca Rudy apostou na criatividade e na mistura de gênero para agradar o publico e o seu primeiro filme foi aquele mexidão com cenas de perseguição, de lutas marciais, com a presença de gângsters e, é claro, uma pitada de sexo e romance.
Baseado em uma biografia real, “Meu nome é Dolemite” é uma película surpreendente porque conta com bons diálogos, boa edição, boa trilha sonora, um time de ótimos atores e excelente figurino composto com peças coloridas, vários acessórios como chapéus, suspensórios, flores nas lapelas, camisas com colarinhos avantajados, coletes, peles falsas e outras peças inspiradas na cultura africana.
Agora, o melhor é a interpretação do ator Eddie Murphy. Ele deu outro olé na indústria e voltou aos holofotes depois de algumas tentativas não tão bem sucedidas feitas nos últimos anos. Apesar disso, o ator foi outro que foi desprezado durante o Oscar deste ano e não foi indicado na categoria de melhor ator. Uma pena!
Entretanto, “Meu nome é Dolemite” levou as estatuetas de melhor filme de comedia e melhor figurino durante a cerimonia do Critics Choice Awards 2020, além do ator receber na mesma ocasião uma homenagem especial e a estatueta pelo conjunto de sua obra. Agradeceu dizendo aos presentes que era a pessoa mais sortuda do mundo porque ganhava a vida fazendo outras rirem!
Confesso que eu cheguei a perder o fôlego de tanto que ri durante o filme porque é muita bagaceiragem junta! E eu não conhecia a vida artística de Rudy Ray Moore, mas o que me marcou além de sua garra, determinação, ambição e criatividade foi seu coração enorme, pois o cara sabia valorizar as amizades e fez o que pode para melhorar as vidas de seus amigos.
“Meu nome é Dolemite” é uma película leve, engraçada e ideal para ser assistida nesses dias de isolamento social imposto pelo Coronavírus.
Eu indico.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução