É chegado o momento de eu comentar sobre algumas obras cinematográficas que ficaram de escanteio no início do ano em detrimento de outras películas que estavam concorrendo ao Oscar de 2020. E esse é o caso de “Joias Brutas”.
O filme é protagonizado pelo ator Adam Sandler que mostra sua faceta mais dramática e menos “bagaceira” e leve do que vista em obras como “Como se fosse a primeira vez”, “Mistério no Mediterrâneo”, “Esposa de Mentirinha”, “Click”, “Gente Grande”, “Juntos e Misturados”, “O Paizão”, “Cada um tem a gêmea que merece”, “Zohan – O agente bom de corte”, “Eu os declaro marido e Larry”, entre tantos outros.
Neste, o ator interpreta um comerciante de pedras preciosas e judeu chamado Howard Ratner. O problema é que ele é aquele tipo de cara mais enrolado do que novelo de lã, pois além de ser um apostador compulsivo, ele mantém um relacionamento extraconjugal com uma garota muito mais jovem e vive em pé de guerra com sua esposa, além de ser ignorado pelos seus próprios filhos.
O personagem principal ainda tem o agravante de ser péssimo pagador e estar devendo na praça e para várias pessoas. No entanto, ele consegue puxar um fiapo de esperança quando recebe uma encomenda da Etiópia contendo uma pedra bruta, rara e colorida.
Daí, Howard tem a ideia em oferecê-la para um famoso jogador de basquete para que a joia se transforme em seu amuleto da sorte, especialmente em partidas decisivas dos campeonatos anuais da modalidade.
A película tem um ritmo acelerado e as confusões envolvendo todos esses elementos acontecem uma atrás da outra, mas o mais interessante é que os movimentos de câmeras chegam a causar vertigem no espectador, pois viajam ora para dentro do corpo do protagonista durante a realização de um exame medico, ora para dentro de pedras preciosas.
E para potencializar a aventura nada melhor do que ela ser acompanhada por uma trilha sonora vibrante, atual, construída com músicas tecno e compatível com a urgência de algumas cenas vistas no longa-metragem.
O ator Adam Sandler faz jus ao prêmio de melhor ator que recebeu durante a cerimonia do “Independent Spirit Awards”, considerado o Oscar independente, pois construiu seu personagem com muita vitalidade e a energia necessária para assumir um papel ambíguo, dramático e que admite várias leituras e a construção de diversas camadas.
Foi uma pena a Academia ter desprezado e não indicado o ator no último Oscar porque ele merecia! E te digo mais, seria um forte concorrente porque está melhor sob os holofotes do que outros que estavam no páreo na ocasião.
A boa noticia para a indústria e para os fãs foi a redescoberta do profissional Adam Sandler e do leque de possibilidades interpretativas que ele abriu com “Joias Brutas”. O ator já é um vencedor dentro da indústria do entretenimento, especialmente na participação em filmes de riso fácil, mas agora ele poderá colaborar no ofício de contar histórias profundas e tocantes.
Como vocês podem imaginar “Joias Brutas” não é um filme fácil de ser assistido e para qualquer um porque é violento, real e convida o espectador a embarcar na crueza de uma aventura sobre o comercio de pedras preciosas, bem como conhecer alguns dos personagens que fazem parte dessa cadeia reluzente.
Fica a dica.
Maria Oxigenada
Foto: reprodução