E dali mais essa para eu ter que administrar! O Almôndega está entediado de ficar em casa durante a quarentena e ele não é o único, né!? Acostumado a ruar duas vezes ao dia, ele agora tem passado horas estirado no chão, observando a movimentação da casa.
Outro problema é que ele grudou em mim igual a um carrapatinho e anda fazendo de tudo para chamar a minha atenção, desde segurar a minha barra da calça e não permitir que eu dê passadas livres até latir sem parar e até que eu olhe para ele antes da rouquidão tomar conta de sua voz. Bicho besta!.
Esta semana, ele desceu um nível em sua loucura canina e deu para fazer greve de fome. Agora, o bonito só come se eu estiver sentada ao seu lado, acariciando seus pelos e conversando com ele. Mereço! Só está faltando eu fazer aviãozinho ou hipnotiza-los com aventuras coloridas vista no ipad.
O pior de tudo é que a vovó não está colaborando em nada com meu drama e anda mimando ainda mais o Almôndega porque já a peguei várias vezes misturando um pouco de carne moída em sua ração e distribuindo petiscos de leite enquanto assiste aos capítulos de suas novelas preferidas.
Se continuar nesse ritmo, o período será de engorda para o Almondega e de stress para mim, por isso fiz questão de desenterrar sua bolinha e voltei a jogá-la pelos cômodos da casa na intenção de que ele corra atrás do objeto e faça algum tipo de exercício aeróbico.
Resolvi estimular também sua criatividade e curiosidade através do aproveitamento de bobinas de papelão existentes nos rolos de papel toalha usados na cozinha e escondi dentro pedaços de panos e até seu patinho de borracha para que ele encontre uma maneira de libertá-lo da prisão esférica.
No entanto, hoje eu percebi que ele amanheceu ainda mais pra baixo e não tive escolha a não ser me proteger com uma máscara caseira e dar uma volta rápida com meu melhor amigo pela vizinhança.
Quando peguei a coleira nas mãos, ele entendeu o recado e saiu correndo para a garagem, raspando insistentemente suas unhas no portão de ferro. Arrepiei! Mas acabei logo com o nosso sofrimento, abrindo-o antes mesmo de eu travar a coleira por completo.
Nunca vi tanta felicidade reunida! Ele cheirou tudo que cruzou pelo seu caminho e como as ruas estavam vazias, afrouxei o tamanho do fio e ele teve liberdade suficiente para atravessar as vias e encontrar aromas de outono já espalhados por aí.
A boa noticia é que o Almôndega não empacou no caminho de volta e eu não precisei carrega-lo no colo, mas depois de cruzar novamente a fortaleza de nosso “castelo”, eu precisei oxigenar suas patas com água e sabão. Aproveitei a ocasião e passei também um lenço umedecido em seu focinho, mas os banhos continuam somente aos sábados.
O passeio fez tão bem para ele que dormiu por horas e recuperou a sua natureza dócil e tranquila. É claro que não ficarei furando a quarentena diariamente, mas uma vez na semana sairei de manhãzinha com o Almôndega para conter um quadro ansioso ou deprê do animal.
Não isolem seus pets em cantos minúsculos de suas casas! Permitam que eles circulem, brinquem e interajam com vocês para que não aconteça um lockdown internamente e com seu bichinho de estimação, há, há há….
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução