Tô aqui pensando com meus botões …qual será a primeira ação que eu farei logo após o termino da quarentena? São tantas as vontades e saudades que nem sei por onde começar.
Saudades de sentir as águas cloradas cortando meu rosto enquanto nado. Saudades de conferir as estreias no cinema. Saudades de flanar pela cena artística paulistana. Saudades de acompanhar o flutuar das bailarinas no palco. Saudades de sair para jantar fora com o Fê. Saudades dos churras feitos com a galera. Saudades de andar de bicicleta ou praticar ioga no parque. Saudades de assistir aos musicais. Saudades até das reuniões semanais realizadas pelo Clube do Bolinha doméstico.
Quantas saudades! Mas talvez a maior de todas as saudades seja colocar o pé na estrada e viajar durante os finais de semana e feriados prolongados. Acredito que essa saudade eu só mate nas festas de final de ano e durante as comemorações para a chegada do próximo ano.
Saudades também de abraçar meus velhos e novos amigos como o Amuleto que está longe e acompanhando o tempo passar calmamente no sítio do meu avô. Isso sem contar as saudades de ficar junto à natureza e em contato com o silencio e as estrelas.
Outras saudades sentidas são: a de acordar com o aroma do café coado na hora ou com a empolgação das maritacas em seus primeiros voos matinais atrás de frutas. Saudades até do galo sem noção do sítio que só se dignifica a soltar a voz com o sol já a pino.
Saudades de andar de pés descalços entre os canteiros da horta local ou de sentir o sol queimando a pele deitada nas areias das praias. E o que dizer da falta que eu estou sentindo dos arranca-rabos com o Paulinho?
Quantas saudades de patinar pelos corredores dos shopping-centers vendo vitrines coloridas e as novidades fashion! Inclusive, sinto falta de fazer aquelas compras por impulso e até dos arrependimentos ocorridos posteriormente.
E as saudades das trocas de receitas e risadas com os feirantes? Do combo pastel e caldo de cana, além das conversas animadas com os comerciantes do bairro que forneço doces e sobremesas, pois atualmente estamos somente trocando mensagens.
Confesso que vesti as minhas lentes de aumento e em um primeiro momento pós-quarentena irei somente observar o comportamento das outras Oxigenadas. Quanto as minhas saudades, essas serão sanadas pouco-a-pouco, devagarinho e depois de ter certeza de que não há riscos de circulação e contato.
Por enquanto, eu continuo construindo memorias da quarentena em casa e na companhia da minha família, entretanto a pergunta que não quer calar é: será que eu terei do que sentir saudades do período de confinamento?
Quem vai saber, né!? Uma coisa é fato: a calma e marcha lenta do período, o mergulho profundo feito na alma, as visitas ao passado, a limpeza de sentimentos tóxicos acumulados e a identificação e estabelecimento das prioridades de hoje não foram tão ruins assim…
Os desafios dessa quarentena foram muitos, mas uma delas foi sem duvida alguma a de manter a positividade diante de cenários difíceis, notícias tristes, assim como estabelecer uma rotina pragmática e que atendesse demandas de outras naturezas, colaborando para a formação de um relicário de boas lembranças.
Que a liberdade conquistada pós-quarentena seja celebrada das maneiras mais distintas possíveis e até através de uma volta correndo pelo quarteirão de casa logo nos primeiros raios de sol vestindo pijamas e com os braços e o coração escancarados para o novo dia e um novo momento. Por que não? .
Saudades de vocês, Oxigenadas!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução