Uma das maiores lições tiradas atualmente é a necessidade de união e diálogo entre as nações, especialmente no que tange a ciência e as ultimas descobertas sobre o comportamento e desenvolvimento do coronavírus.
Outro ponto ressaltado durante a pandemia foi à importância da vida, além da compreensão de seu ciclo e de sua brevidade, bem como da força da natureza e da atuação de outras que são invisíveis aos olhos humanos.
Entretanto, a vida, o desenvolvimento e bem-estar das pessoas, especialmente as mais humildes recebem outras conotações e enfoques durante a película “Sérgio”, pois desempenham papeis diferentes, ora de suma importância, ora secundários e irrelevantes aos interesses econômicos, políticos e sociais de líderes extremistas e representantes de países ricos.
O filme “Sérgio” conta a historia de vida do filosofo, diplomata brasileiro e alto comissário das Organizações das Nações Unidas (ONU) Sérgio Vieira de Mello (Wagner Moura) que durante 34 anos lutou pelos direitos humanos, pela extinção dos conflitos vistos em Bangladesh, Camboja, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Ruanda e Timor Leste, além de colaborar para a independência deste último.
O problema central da obra acontece em outra localidade e em Bagdá, no Iraque, pois é no local que o protagonista sofre um atentado e é vítima, juntamente com outras 21 pessoas, das ações do grupo terrorista Al-Quaeda, em 2003. O atentado deixou outros 150 feridos que estavam dentro e no entorno do hotel Canal, prédio usado pelos funcionários da ONU e entre eles estava sua esposa Carolina Larriera (Ana de Armas).
Logo de inicio, o espectador percebe quão humanista e pacificador era Sérgio de Mello porque acompanha o personagem dando boas vindas aos novatos da ONU através da gravação de um vídeo que ressaltava a importância da realização de um trabalho externo e junto à população de cada país onde a ONU estava presente e não dentro de escritórios e sedes da organização.
Aos poucos, quem está assistindo ao filme nota o comprometimento do personagem título na execução de seu trabalho, pois em muitas cenas ele deixa claro que não cederá às imposições feitas pelos Estados Unidos.
E para amenizar o papo sério proposto pela obra, o diretor Greg Barker preferiu costurá-la com o romance entre Sérgio e Carolina. Os dois se conheceram e se apaixonaram no Timor Leste e viveram juntos por mais de três anos. Além disso, o filme é recheado com cenas de flashback e por lembranças de pontos turísticos do Rio de Janeiro, cidade natal do protagonista, além de imagens de momentos felizes passados ao lado dos seus dois filhos pequenos: Laurent e Adrien, frutos de sua união com a francesa Anne Personnaz.
O interessante é que o diretor Greg Barker optou por retratar a vida pessoal do personagem principal através de takes coloridos e da exploração dos sorrisos largos e frequentes distribuídos por ele.
Já a crueza das dificuldades e aridez dos conflitos enfrentados pelo personagem é percebida através do uso de uma paleta de cores pálidas e tonalidades pouco vibrantes, típicas de cenários de guerra. Para isso, basta observar o figurino ostentado pelos coadjuvantes da obra nas locações das cenas feitas em Bagdá.
Agora, bom mesmo é a química existente entre a dupla protagonista. Wagner Moura e Ana de Armas estão em sintonia em frente às câmeras, vibrando na mesma onda latina e conseguindo construir a cumplicidade esperada por um casal apaixonado e que comungava de objetivos e mesmos propósitos de vida.
E apesar do charme de Wagner Moura em cena, eu tenho que admitir que ele não se parece em nada com o diplomata retratado. No entanto, o ator consegue mostrar maturidade cênica diante das câmeras e em passagens ficcionais exigentes e que requerem seriedade interpretativa.
Na verdade, “Sérgio” é mais uma homenagem feita à personalidade que foi Sérgio Vieira de Mello, mas quem quiser conhecer um pouco mais sobre o seu legado, a sugestão é assistir aos documentários “Sérgio”, de Greg Barker, ou “Sérgio Vieira de Mello – O legado de um herói brasileiro”, de André Zavarize, bem como ao filme “Nações Unidas: Tributo aos mortos da tragédia de Bagdá” ou mesmo partir para a leitura de livros, tais como: “Sergio Vieira de Mello – O legado de um herói brasileiro”, de Wagner Sarmento, ou “O homem que queria salvar o mundo: Uma biografia de Sérgio Vieira de Mello”, de Samantha Power.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
P.S. Continuo na expectativa de ver a atuação de Wagner Moura por trás das câmeras e como diretor do filme “Marighella” ainda inédito no Brasil.
Foto: reprodução