Dia dos Namorados já elvis, mas as saudades de dar uns amassos continua, né Oxigenadas!? No entanto, partir para a ação está impossível no momento atual, então a solução é assumir a faceta voyeur que todas nós temos escondida e conferir a película “365 Dias”, na plataforma Netflix.
Adaptação do livro homônimo escrito por Blanka Lipinska, o filme é um “50 Tons de Cinza” com um pouco mais de condimento. As similaridades entre as duas obras é descarada com cenas eróticas de baciada, com referências ao universo sadomasô, com outras de puro romantismo e até a presença de um baile de máscaras, além de um protagonista masculino exalando testosterona por todos os poros de seu dorso nu.
É o protótipo de homem alfa que volta a atacar, mas agora ele assume a pele de um mafioso italiano e não de um jovem empresário como era Christian Grey. O nome do bonito do momento é Massimo e ele faz jus a sua identidade porque o ator Michele Morrone que interpreta o personagem é o protótipo “armário”, com costas enormes, corpão malhado e com zero gordura concentrada no abdômen.
E quem tem o privilégio de esfregar suas mãos no tanquinho é a polonesa Laura (Anna Maria Siekluka). Beeem menos ingênua do que Anastacia Steel (50 Tons de Cinza), a protagonista feminina parte para Sicília na companhia de amigos para comemorar seu aniversário de 29 anos. Lá, ela esbarra em Massimo nas dependências do hotel em que está hospedada e vê sua vida se transformar a partir do encontro casual.
As sutilezas vistas na aproximação de Christian Grey com Anastacia Steel não são reprisadas com Massimo e Laura. O mafioso age rapidamente, sequestra sua amada, trancafiando-a entre os muros de sua mansão e informando-a de que ela tem exatamente 365 dias para cair de amores e aos pés do boy lixo. Caso isso não aconteça, ele a libertará passado um ano de convivência forçada.
A sequência dos fatos ficcionais é pura canastrice e repleta de clichês presentes em filmes de soft-pornô com um personagem provocando e se insinuando ao outro com desfiles de roupas íntimas, com o consumo de alimentos sugestivos como casquinha de sorvete e também com cenas de visualização do parceiro em ação e na cama com outra pessoa.
Falando nisso, as cenas eróticas são muuuito mais ousadas do que as vistas em “50 Tons de Cinza” e aqui nós podemos acompanhar o casalzinho em dias de sexo frenético, sendo feito em diferentes lugares e posições e com a protagonista feminina tirando o couro do bonitão sem aquelas amarras morais encontradas em Anastacia Steel.
Entretanto, não podemos deixar que o erotismo presente na obra camufle ou coloque panos quentes na relação abusiva construída diante de nossos olhos ou as referencias à síndrome de Estocolmo feitas na obra, pois há a paixonite aguda da personagem pelo seu sequestrador, né! Fato.
“365 Dias” conta com um enredo previsível, mas ele só não ganha o troféu Framboesa de Ouro de 2020 porque apresenta um desfecho diferente da outra película citada no texto e de tantos outros contos de fadas que fizeram parte de nossas fantasias infantis.
Já às atuações não impressionam, não! Na verdade, o que chama a atenção são as locações escolhidas e a fotografia do filme, pois as cidades italianas e alguns pontos turísticos escolhidos colaboram na criação de uma atmosfera ainda mais sedutora no entorno dos personagens.
Acredito que a única pretensão de “365 Dias” é dar aquela animada no seu dia ou em sua noite, então se você está achando o isolamento social puxaaaado, solitário e cinzento, que tal acrescentar um pouco de picância e cores nos próximos dias?
Beijos,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução