O dia dos namorados não passou em branco. Por um momento achei que nós não iríamos comemorar a data, mas o Fê fez questão de passar o dia e a noite comigo.
Nossa! Que saudades que eu estava dele! Saudades do seu cheiro, saudades dos seus beijos, saudades de deslizar meus dedos pelos seus cabelos, saudades de ficar “enovelada” em seu corpo, saudades até de suas camisetas furadas e de seus comentários bagaceiras, há, há, há…
Na maior parte do tempo, nós temos nos mantidos afastados. Ele em sua casa e eu na minha, mas é claro que nós nos falamos e nos vemos diariamente através do facetime, mas contato físico foi pouco durante os 80 dias de isolamento porque decidimos conjuntamente não furar a quarentena, não nos expormos ao perigo de contágio e nem colocarmos em risco nossos familiares porque a verdade é que minha casa é uma bomba relógio acionada com meus avós idosos e pertencentes aos grupos de risco.
Confesso que não pensei duas vezes em aceitar o seu convite e logo depois que tomei meu café da manhã eu já parti para o abraço, ou melhor, corri para sua casa e o agarrei na calçada mesmo, onde ele me esperava com aquele sorrisinho de canto de boca que só ele sabe dar.
O problema foi que eu estava tão ansiosa com o encontro que acabei me esquecendo de comprar um presente para o meu namorado. Nos primeiros minutos fiz a Kátia e puxei outros assuntos, mas ele me cobrou logo em seguida e eu não tive outra escolha a não ser mentir, dizendo que seu presente chegaria via correio nos próximos dias.
Ganhei tempo…
Já ele não poupou esforços para me agradar. Primeiro, ele encomendou um kit de um renomado restaurante paulistano para nós dois finalizarmos conjuntamente o almoço do dia especial, seguindo passo-a-passo as orientações do chef de cozinha através o acionamento do QR Code encontrado na embalagem.
Enquanto eu estava abrindo a caixa, passou pela minha mente que o Fê provavelmente teria optado por uma pasta ou risoto que são pratos fáceis de serem feitos, mas que nada! Ele foi fundo em sua escolha e apostou que conseguiria preparar um peito de pato com molho de frutas vermelhas e seus acompanhamentos em banho-maria.
O Fê é danado mesmo! Antes de começar a bater as panelas, ele assistiu ao vídeo do chef duas vezes, depois ele me serviu uma taça de vinho e pediu que eu me sentasse na bancada. E como não gosto de fazer à egípcia, arrumei a mesa para a ocasião, distribuindo talheres, pratos e taças sobre ela. Só não acendi velas porque estávamos com o sol a pino, mas improvisei um vasinho de flores, ou melhor, de alecrim colhido na pequena horta domestica.
O almoço ficou pronto antes mesmo de eu finalizar minha primeira taça de vinho porque a verdade é que ele precisou apenas selar a carne e dar um susto bem dado nos aspargos, nos cogumelos e no palmito pré-cozido.
O presente eu posso até ter me esquecido, mas da sobremesa, não! Mesmo sem ter ciência de que participaria de uma refeição especial, eu fiz uma receita de brownie ontem à noite e trouxe para nós a degustarmos em parceria com bolas de sorvete de baunilha.
E depois de arrumarmos a bagunça da cozinha vocês já devem imaginar as cenas seguintes, né!? Passamos o resto do dia namorando, assistindo a filmes e encarando os microfones em um karaokê improvisado.
E quem disse que eu fui embora na manhã seguinte? Gastei meu arsenal de desculpas para meus pais e, literalmente, grudei no Fê como um carrapatinho por mais um dia. Saudades né, minha filha!
Voltei borboleteando para casa e com a certeza de que esse dia dos namorados ficará prensado em um canto da minha memoria para sempre. Amei!
Comentei com o Fê que eu voarei para lá e para o nosso casulo na expectativa de metamorfosear minhas vibrações e minha carcaça emocional, pois a quarentena continua e haja equilíbrio psíquico para encara-la por mais algumas semanas.
Respira fundo porque vai passar!
Beijos,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução