A minha quarentena está literalmente pegando fogo! E a verdade é que ateei álcool de uma única vez, ou seja, em único final de semana porque passei sábado e domingo maratonando pela série espanhola “Toy Boy”, atual sucesso da Netflix.
Logo de cara, conheci o “Inferno”, boate de Marbella que apresenta shows de strip-tease masculino e fiquei diante dos capetinhas locais. O grupo é formado por cinco amigos, sendo: Iván (José de La Torre), proprietário do inferninho e ex-policial, além de Hugo (Jesús Mosquera), Jairo (Carlo Costanzia), Gérman (Raudel Raúl Martiato) e o novato Óscar (Carlos Scholz).
Entretanto, a coreografia narrativa da obra conta com passos além da objetificação e prostituição masculina. Seu enredo é recheado por cenas de mistério, por crimes não solucionados, assim como reviravoltas mirabolantes e o questionamento do espectador em relação a quem matou?
No meio do fogo cruzado está Hugo, stripper que foi preso injustamente, acusado de matar Philip Norman (Virgil Mathet) depois de ter participado de uma festa regada a drogas e sexo grupal com a esposa do empresário chamada Macarena (Cristina Castaño).
O protagonista da obra fermenta por sete anos em uma cela, mas sai do local com a ajuda da advogada Triana Marín (María Pedraza), profissional júnior de um grande escritório de advocacia de Marbella. E após sentir o frescor da maresia, ele começa a montar o quebra cabeça que o envolve, investigando o crime, checando provas e encontrando-se com alguns dos envolvidos; tudo com a ajuda de sua advogada e seus amigos.
Agora, para colocar ainda mais fogo nessa fogueira ficcional é claro que um triângulo amoroso é formado e este envolve Hugo, Macarena e Triana, mas é outro relacionamento amoroso que se destaca nos treze episódios da série e ele envolve o stripper e garoto de programa Jairo e Andrea Medina (Juanjo Almeida), filho de Macarena.
Aliás, Andrea é um personagem interessante e que cresce com o passar do tempo porque além de curtir o universo geek, o espectador descobre que ele foi estuprado na infância e esconde alguns segredos, entre eles quem é o seu abusador, ou seja, ele é aquela brasa que teima em permanecer acesa e que atiça a curiosidade dos que assistem a primeira temporada da série.
Aos poucos, as labaredas vão se intensificando, ganhando corpo e queimando as máscaras de outros personagens, especialmente as usadas pela matriarca Benigna Rojas (Adelfa Calvo) e as dos irmãos Borja Medina (José Manuel Seda) e Mateo Medina (Álex Gadea).
O delegado corrupto Mario Zapata (Pedro Casablanc) é outro diabo sem rabo e chifres que circula livremente entre os episódios, colaborando para as viradas na historia e muitas vezes tirando a atenção do espectador para algum fato ou prova importante.
No entanto, ele tem ao pé do seu ouvido um anjo assoprando todas as suas impropriedades profissionais e este atende pelo nome de Luisa Gutierrez (Miriam Díaz Aroca), delegada que chega a Marbella vinda de Madri com a missão de jogar baldes de água fria nas atitudes corruptas das autoridades.
É! O mais legal de “Toy Boy” é esse caldeirão de temáticas abordadas e pitadas de apresentações feitas pelos Go Go Boys do momento. Os garotos ajudam a elevar a temperatura de todos os capítulos, aparecendo fantasiados de militares, detetives, boxeadores, bombeiros, cowboys e até cisnes negros e dançando coreografias de tirar o folego da mulherada.
E para aumentar a coerência e a construção da narrativa, o figurino é peça fundamental, especialmente o guarda-roupa da personagem Macarena com peças de alfaiataria, em couro, seda, além de acessórios como sapatos altos, bolsas estruturadas de diferentes tamanhos e alguns brinquedinhos sadomasô.
Quanto às atuações, achei bem arriscada a decisão do diretor César Benítez de escolher o ex-jogador de futebol Jesús Mosquera como protagonista, especialmente porque “Toy Boy” é o seu primeiro trabalho na área. Ele não faz nenhum papelão diante das câmeras, mas também não se destaca entre o grupo de atores.
Já a atriz María Pedraza está muito caricata em cena, apertando os olhos todas as vezes em que precisa reafirmar a seriedade de sua personagem ou os sentimentos sentidos pelo seu cliente. Não gostei!
Destaco as interpretações dos coadjuvantes como os atores Juanjo Almeida, José Manuel Seda, Álex Gadea e, especialmente, a do ator Pedro Casablanc, pois confesso que em vários momentos senti asco de Zapata e do visual ensebado e relaxado do personagem.
Acredito que “Toy Boy” tenha caído no gosto popular por ser uma serie simplista, com um final que dá gancho para o desenvolvimento de uma nova temporada e histórias temperadas e com potenciais de ficarem muito mais calientes!
Se pudesse sugerir algo seria a diminuição do tempo de duração de cada episodio, pois hoje eles superam 1 hora, assim como daria voz a outros personagens que ficaram de escanteio nesta como é o caso de Claudia (Nía Castro), cunhada e crush de Ivan. Aliás, eu shippo o casal porque quero ver o circo pegar fogo, há, há, há…
“Toy Boy” é uma boa maneira de sair do banho-maria que a quarentena nos colocou e acender uma chaminha de esperança e vontade por uma vida mais dinâmica, dançante, misteriosa e sexy como vista nas telinhas.

Até a próxima,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução