O peso da quarentena

por | jun 10, 2020 | Estilo de vida | 0 Comentários

Deu ruim para mim! Para variar minhas atividades físicas, eu resolvi subir e descer a escada que dá acesso ao mezanino daqui de casa na intenção de trabalhar coxas, panturrilhas e glúteos.
O treino começou comigo fazendo um aquecimento tradicional e cumprindo cada degrau do desafio calmamente. Na sequencia, eu comecei a atear fogo na musculatura, me posicionando no primeiro degrau da escada e fazendo uma série de subidas e descidas dos tornozelos para mexer com as panturrilhas.

O terceiro bloco da atividade foi acelerar o exercício de escalada, cumprindo o deslocamento entre o térreo e o primeiro andar em menor tempo possível. Já o quarto bloco foi o mais difícil de todos porque inventei de subir os degraus de dois em dois na intenção de desfilar com a buzanfa nas alturas no próximo verão.
É claro que não parei por completo a movimentação entre uma série e outra e desacelerei a frequência cardíaca com a diminuição do ritmo de subidas e descidas na escada por dois minutos apenas.
No entanto, a aventura chegou ao fim depois que tive a brilhante ideia de usar o Almondega como peso, posicionando-o deitado sobre meus ombros. Com isso, minhas mãos antes livres para segurar no corrimão existente ficaram ocupadas e segurando as patas do meu melhor amigo.
O desfecho do episodio vocês já podem imaginar, né!? Eu me distraí com a movimentação do Almondega, pisei em falso e enfiei um dos meus pés entre o vão existente entre um degrau e outro, batendo com o rosto na escada.
A ação foi tão rápida, violenta e inesperada que só me lembro de sentir o calor da lambida do “bonito” em minhas bochechas após o incidente. Fiquei parada com as pernas abertas e encaixada frontalmente no local até que mamãe viesse me socorrer.
Eu não quebrei nenhum membro, mas estou com as partes internas das minhas coxas ostentando manchas roxas, com meu rosto arranhado pelas unhas do Almondega e com a “pepeca” dolorida. Mereço!
A catástrofe só não foi pior porque graças ao bom Deus o Almondega não abriu seu chuveirinho dourado e não fez xixi em mim enquanto fazia meus exercícios porque todas as vezes que ele está com medo ou diante de alguma situação de perigo ele não titubeia em soltar o que está represado dentro de si, há, há, há…
Nesse exato momento, eu estou fazendo compressas de gelo nos hematomas para reduzir a inflamação e as dores sentidas, mas as manchas azuladas começaram a camuflar sua tonalidade atrás de escudos amarelo-esverdeados.
A vovó até me recomendou passar polpa da babosa nos círculos para acelerar o processo de desinflamação, mas eu cortei a espada da planta e passei seu conteúdo nas minhas madeixas para hidrata-las naturalmente…
Hoje, eu resolvi dar um descanso para meu corpo e só voltarei a me exercitar com segurança amanhã e sozinha. Nunca mais envolvo o Almondega na minha rotina de exercícios. A única atividade física que faremos conjuntamente é passear pelo bairro a passos de tartaruga com os pés fixos no asfalto e não flutuando entre os degraus das calçadas porque essas estão vergonhosas e tornaram-se obstáculos para a locomoção de pessoas e a pratica de atividades físicas.
Só me aventuro através delas se meu cérebro estiver sentindo muita falta da oxigenação costumeira ou se o peso do isolamento social voltar a incidir sobre meus ombros….
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução