O sufocamento de George Floyd ocorrido recentemente em Minneapolis (USA) diante das câmeras chocou o mundo em plena pandemia e levantou mais uma vez a questão da violência policial, especialmente em relação aos negros e afrodescendentes.
A partir da tragédia, protestos começaram a ocorrer em vários países, inclusive no Brasil, contra o racismo, contra a violência policial, contra a marginalização das minorias e a favor dos direitos humanos e pela vida.
E a arte nos ajuda a compreender melhor a temática em foco, os momentos históricos que estão por trás dela, assim como nos apresenta artistas da atualidade que estão envolvidos no desenvolvimento de trabalhos que espelham as feridas e as consequências dessa herança escravocrata, além de apresentar atividades em diferentes linguagens que reforçam seus posicionamentos políticos e pessoais.
Para quem deseja refletir e se emocionar com histórias reais ou imaginadas, ou mesmo, se reconhecer diante de pinturas, grafites, em letras de músicas ou em narrativas fictícias, então a sugestão é mergulhar no universo criado por artistas plásticos, roteiristas, letristas, escritores e diretores de cinema que não titubearam em explicitar a questão, transformando-a em belezas construídas e criativas. Segue dicas abaixo:
Filmes nacionais:
Aquelas Oxigenadas que gostam de visualizar as cenas descritas em folhas digitadas de roteiros, então a sugestão é cair de boca na película recém-lançada “Casa de Antiguidades” ou nas produções nacionais: “Besouro”, “Cafundó”, “Madame Satã” e “Xica da Silva”.
Filmes Internacionais:
Agora, para que o assunto não suba no telhado de vez e caia no esquecimento por completo daqui algumas semanas, há outros títulos e produções americanas que também favorecem nosso processo interpretativo sobre o racismo. São eles: “Se a Rua Beale Falasse”, “Luta por Justiça”, “Infiltrados na Klan”, “Greenbook”, “Estrelas Além do Tempo”, “12 anos de Escravidão”, “Corra”, “Django Livre”, “Histórias Cruzadas”, “Fruitvale Station – A Última Parada”, “A Cor Púrpura”, “Amistad”, “A Outra História Americana”, “Mississipi em Chamas”, etc.
Playlist:
Já nos fones das antenadas tocam os álbuns “Do Cóccix até o Pescoço”, especialmente a música “A Carne”, de Elza Soares, assim como o álbum “Amarelo”, do Emicida, a música “Convoque seu Buda”, do Criolo, alguma canção do Mano Brown, a música “O homem que não tinha nada”, do Projota com a cantora Negra Li, a poesia cantada de “Freedom”, do Pharrel Williams, ou “Blue Lights”, de Jorja Smith e a música “Dona de Mim”, da Iza.
Artes Plásticas:
Nomes como Alberto Pereira (@albertopereira), Leonardo Mareco (@marecoleo), Lídia Vaber (@lidiavaber) e Yaya Ferreira (@arteyaya) são alguns dos que estão comprometidos na criação de diálogos “enegrecedores” feitos através da pintura, do grafite, de colagens e de intervenções urbanas.
Livros:
E para quem prefere respirar através das palavras, a dica é a leitura dos títulos: e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis; “Racismo, Sexismo e Desigualdade”, de Sueli Carneiro; “Interseccionalidade”, de Carla Akotirene; “Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro; “Retratos do Brasil Negro”, de Lélia Gonzáles; “O Genocídio do Negro Brasileiro”, de Abdias Nascimento.
Este momento é propício para inspirarmos valores estéticos, culturais, históricos e emocionais através do consumo de produtos artísticos que comunicam, modificam percepções e encontram respiros para tantas tensões e conflitos.
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