Engraçado como durante essa quarentena a gente tem feito viagens internas e revisitado lembranças de lugares e pessoas importantes em nossas vidas, né!? E durante a transmissão da live “One World: Together at home”, realizada algumas semanas atrás, eu me deparei com um amor platônico antigo e secreto que nutri durante anos por um bad boy.
Trata-se do guitarrista Keith Richards, integrante da banda de rock The Rolling Stones. Depois do encontro virtual, eu voltei a me interessar pela sua historia de vida e pelos feitos desse cara que é considerado um dos melhores do século XX e que nunca temeu viver intensamente e como se não houvesse amanhã, há, há, há…
A primeira atitude foi resgatar sua biografia “Vida”, lançada em 2010, e que devorei pela segunda vez em poucos dias e rolei de rir novamente com suas aventuras, pois o artista é bagaceira no último grau e foi algumas vezes preso por porte de drogas, além de desafiar a morte pelo consumo excessivo de álcool, heroína, cocaína e tantas outras ínas, menos a cloroquina, objeto de desejo de muitos na atualidade.
Detalhes a respeito de sua vida pessoal como as mulheres com quem ele se relacionou, além das brigas e desentendimentos com Mick Jagger, vocalista e líder dos Stones, e sua relação com a fama também estão presentes na obra.
No entanto, no documentário “Keith Richards: Under the influence” é possível saber quais foram os músicos que o influenciaram, bem como descobrir que seu avô foi o seu grande incentivador e que sua mãe era uma mulher com ouvidos afiados para a boa música, pois ouvia desde Muddy Water, Willy Dixon, além de blues, jazz, folk e também músicas populares.
Assistindo ao documentário fica evidente que Keith Richards também bebeu muito na fonte do reggae, do country, do soul, de trabalhos desenvolvidos por artistas do calibre de Elvis Presley e Chuck Berry, considerado um dos pioneiros do rock and roll, além da cultura americana.
Agora, o mais inebriante da película é que ela acompanha o músico em seus passos sequenciais a pausa feita pelos Stones depois da turnê de 2007. Ele juntou-se ao produtor Steve Jordan para gravar um disco solo e algumas musicas que não fazem parte do repertorio de sua banda família, pois Richards deixa claro que os The Rolling Stones é onde se sente confortável.
“Keith Richards: Under the influence” também conta com depoimentos de parceiros musicais, além de imagens em branco e preto que os seus fãs jamais teriam acesso, tais como alguns ensaios e gravações dos Stones, bem como flashes da temporada passada na Jamaica ou de seus retoques musicais feitos ao piano.
O documentário também funciona como uma espécie de confessionário para Richards, pois ele admite que a música é o que une as pessoas e que elas chegam a ele como borboletas, sem forçar situações ou processos criativos, pois os momentos musicais mais interessantes sempre aconteceram fora dos holofotes.
Outro ponto interessante da película é observar como o músico está encarando o seu envelhecimento físico, pois acreditava que não passaria dos 30 anos e hoje está com 76 anos. Ele também falou que está curtindo muito desempenhar o papel de avô de seus cinco netos, frutos do seu relacionamento com Anitta Pallenberg e do casamento com a ex-modelo Patti Hansen.
Richards reconheceu diante das câmeras a importância da disciplina, do comprometimento e de uma boa liderança para trilhar um caminho profissional bem sucedido, assim como identificou essas qualidades em Mick Jagger.
Sua alma jovial é o que mais me encanta em Keith Richards! A impressão sentida é que o cara não envelhece nunca, pois continua ativo, tirando músicas em suas guitarras preferidas e bebericando constantemente seu whisky on the rocks acompanhado de pedras de gelo feitas em forminhas de caveira.
E não é de hoje que acho que Keith Richards é uma persona imortal. No entanto, a grande preocupação é com o mundo que nós deixaremos para ele pós covid-19, há, há, há…
Eu indico as duas obras: o livro e o documentário! Para relaxar e se divertir durante mais uma semana em casa.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução