A ferramenta mais acessada do momento é a criatividade. Empresários, proprietários de estabelecimentos comerciais, profissionais liberais, artistas e pessoas atuantes nas mais distintas áreas estão se valendo dela para continuarem ativos, trabalhando e organizando suas rotinas e compromissos dentro e fora de casa.
De mãos dadas com ela está a tecnologia que impulsiona, sinaliza caminhos e mostra soluções para alguns problemas existentes, inclusive a realização de eventos culturais e fashionistas, como as semanas internacionais de moda.
No entanto, alguns estilistas estão mostrando suas novas coleções através de editoriais de moda produzidos artesanalmente por suas próprias modelos que tiram fotos de looks com seus próprios celulares e postam em sites, redes sociais e nas paginas de e-commerce das marcas.
Agora, a novidade da semana foi acompanhar um desfile de moda feito no universo virtual e todo em 3D. A idealizadora da ação foi a estilista africana Anifa Mvuemba, responsável pela identidade e pelo desenvolvimento de coleções da marca Pink Label Congo.
Desfiles transmitidos ao vivo pela internet não são novidades no mundinho da moda. Tanto é verdade que o estilista Pedro Lourenço, filho de Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, já recorreu ao modelo para mostrar suas novidades de outrora.
Entretanto, o interessante da proposta de Anifa é que suas peças não foram preenchidas por protótipos humanos ou corpos de bonecas e adentraram sozinhas na passarela criada. Outro fator interessante é que a estilista usou como modelo de prova o seu próprio corpo e suas medidas pessoais, por isso é perceptível a silhueta curvilínea vista nas telas, a aproximação e o gingado com corpos reais encontrados desfilando pelas ruas e avenidas de centros urbanos.
Ao todo, a profissional apresentou seis peças distintas e o desfile foi finalizado com a entrada de todos os modelos conjuntamente antes do apagar dos holofotes como em um fechamento convencional. E todos eles estavam alinhados com as tendências vistas recentemente, como a presença de pepluns, mangas volumosas, drapeados, maxi bolsos quadrados e frontais, bem como fendas vertiginosas, vestido de um ombro só e de pele à vista.
Aliás, a única estampa impressa na ocasião foi uma ribeirinha e das águas tranquilas e azuladas de um rio qualquer printado no vestido de noiva da label. E quem acompanhou ao desfile na última semana ainda ficou sabendo como os seus desenhos ou croquis foram criados e qual seria o destino da renda arrecadada com a venda das peças, ou seja, o dinheiro foi para famílias e crianças que trabalham na mineração e para o mercado negro de pedras preciosas.
Com essa ação, a estilista Anifa Mvuemba evidenciou a possibilidade da realização de desfiles gastando pouco ou quase nada, além da chance de não precisar ter estoques parados nas prateleiras de suas lojas, da diminuição de compras, especialmente de tecidos usados na confecção das roupas, a queda na emissão de detritos poluentes nos rios da região, no quadro de funcionários e na mão de obra empregada, pois as peças seriam feitas somente através de encomendas e não ficariam empoeirando nos pontos de venda de sua marca.
As apresentações virtuais também derrubaram outro cenário, ou seja, de todo o circo necessário para a realização de desfiles convencionais e que empregam milhares de pessoas, desde fotógrafos, produtores, maquiadores, cabeleireiros, entre outros, possibilitando com isso que os estilistas usem seu capital para expandir sua atuação no mercado ou realinhar suas coleções para as estações do ano, diminuindo a urgência por liquidações de coleções passadas.
Sinceramente, eu não acredito que as semanas de moda acabem por completo e depois da pandemia promovida pelo Covid-19 porque as fashionistas ainda almejam sentar-se nas primeiras filas dos desfiles, serem vistas nesses locais e acompanharem de perto, ao vivo e em cores as novidades e a criatividade empregada por cada estilista, mas creio que uma porta foi aberta para o novo, o diferente e para quem ainda tem receios de estar em ambientes fechados com centenas de outras pessoas ou para mulheres que nunca tiveram a chance de assistir ao vivo um desfile de uma grande marca.
Pela originalidade da atitude, por seu caráter inovador e pela mensagem imbuída na ação, eu gostei!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução