Fala a verdade! Essa quarentena também está divertida, né não? Aqui em casa a loucura anda boa, especialmente por causa dos meus avós. Desde que o período de recolhimento começou os dois não saem dos seus telefones, ora respondendo mensagens, ora assistindo vídeos compartilhados entre os grupos em que fazem parte, ora conversando com parentes.
Ontem, eu rolei de rir com a conversa travada entre a minha avó e seu irmão. A verdade é que os dois não conseguiram engatar uma segunda marcha no diálogo e não saíram do cumprimento inicial.
Escutei de longe ele perguntando se estava tudo bem por aqui? E minha avó respondendo que sim! Entretanto, na sequencia as trocas começaram a ficar entrecortadas e os dois não mais compreendiam o que o outro falava, provavelmente em decorrência do péssimo sinal existente naquele instante.
Meu tio-avô ligou através da câmera do whatts, mas a tecnologia não colaborou para um encontro a distancia bem sucedido e os dois insistiram na pergunta inicial por cinco minutos sem sair do atoleiro verbal e sem movimentar a conversa.
O tudo bem foi entoado várias vezes e de todas as maneiras possíveis e imagináveis, desde a mais tímida e de forma calma como ouvida pela primeira vez até a gritada e espumante como na última vez em que foi falado e que colocou ponto final ao episodio.
O mais engraçado de tudo foi ouvir as impressões da aventura relatadas pela minha avó para a minha mãe. Ela disse à filha que estava feliz porque tinha visto ao vivo que seu irmão estava saudável e que só de ouvir seu tudo bem já tinha ganhado o dia. Que loucura isso!
Mamãe perguntou se ela não gostaria de ligar novamente para ele, mas de maneira convencional, através do telefone fixo e sem as câmeras em ação e vovó falou que não precisava porque se sentia aliviada por vê-lo congelado por alguns segundos, há, há, há…
Confesso que às vezes acho que minha avó não bate bem do bumbo, não! Mas uma coisa é fato: ela consegue abstrair a realidade e criar suas próprias memórias e aventuras a partir de experiências surreais e construídas por quem vive com a cabecinha na lua.
Nessa altura do campeonato, ou melhor, da quarentena é claro que está tudo bem em ser assim, né? E o que mais será que o isolamento nos reserva de bom depois desses dias de marcha lenta?
Veremos…
Maria Oxigenada
Foto: reprodução