Confesso que os primeiros dias da quarentena foram bem difíceis para mim porque senti muito a falta das minhas atividades físicas e das idas à academia. A minha rotina por lá sempre foi intensa e em alguns dias da semana eu batia ponto duas vezes no local.
Para não ficar paradona e tentar manter meu ritmo de malhação, eu resolvi fazer aulas de circuito, hiit, abdominal e step encontradas gratuitamente na internet e para isso armei o circo aqui em casa com a distribuição de materiais usados nessas práticas, além da construção de estações que foram espalhadas por todo o quintal.
Pular corda também estava nos meus planos para queimar as calorias extras conquistadas no período, mas depois que minha mãe bateu foguinho para mim, oxigenando demasiadamente meu corpo e cérebro, eu percebi que o período exigia outro tipo de movimentação.
E não foi somente a minha intuição quem entrou em ação, mas sim o meu corpo foi quem sinalizou que tinha feito escolhas erradas, pois o resultado da pulação de corda veio durante a madrugada posterior e através de dores por todo o corpo, especialmente nos joelhos e coluna.
A partir deste episodio, eu baixei a bola e resolvi investir em outras atividades físicas, como aulas de pilates, ioga, alongamento e balé na barra visualizadas no YouTube. Eu até testei algumas aulas de balé clássico, mas desisti da aventura com medo de torcer meus tornozelos e pés com os saltos feitos ao ar livre e em cima da grama.
Para mim, pior do que ficar sem fazer exercícios físicos é ficar sem dançar, então vocês imaginam como estou ultimamente, né!? A boa noticia foi que eu encontrei um instituto americano de balé que está disponibilizando aulas da modalidade gratuitamente e o mais legal é que elas são acompanhadas por um musicista ao piano.
Outro achado do período foram às aulas de ioga ministradas por um professor de Búzios que vêm ao encontro as minhas necessidades e expectativas porque elas são mais dinâmicas e contam com um plus que é ter um cenário de cair o queixo, além de uma trilha sonora construída ora pela movimentação do mar, ora pelos cantos dos pássaros que sobrevoam a região.
Isso facilitou e muito o meu conectar com a natureza e também o meu recolher. Coincidência ou não, este vírus que está circulando pelo planeta chegou ao Brasil justamente no inicio do outono, época em que a natureza perde parte de sua alegria em prol da permanência de sua essência e beleza interior.
A estação é propícia à interiorização, a reflexão, ao aprofundamento de pensamentos e ao descarte e reciclagem das emoções. E especialmente a eliminação do que não nos serve mais, bem como a retenção do que realmente importa.
Dessa forma, nós teremos força para passarmos o inverno e chegaremos à primavera e ao verão repletas de energia. A verdade é que temos o péssimo habito de guardarmos o que não é bom para nós, por isso adoecemos frequentemente.
No entanto, a boa noticia é que como somos uma sociedade solar, voltada para o externo, o nosso despertar acontece mais rapidamente do que em outras localidades. Além disso, temos a nosso favor a Amazônia, considerado pulmão do mundo e o berço de uma nova era. Uhu!
Essa é sim a oportunidade que todas nós estávamos esperando para fazermos aquela faxina física e emocional de tudo o que nos machuca porque, caso contrário, aparecerá outro vírus, além do Covid-19 para dar outra geral em nós porque a natureza é sábia e também precisa respirar além do outono de 2020.
Quanto a mim, eu vou continuar inspirando, expirando e acompanhando as aulas propostas, mas descobri outra maneira para “sovar” minha barriguinha atual, ou seja, através da distribuição de peças de roupas pelo chão da casa e a necessidade de ter que me abaixar para recolhê-las.
Isso tudo vai passar! Acreditem!
Maria Oxigenada