As redes sociais já tinham inaugurado uma nova maneira de nos relacionarmos à distância, mas agora isso está indo além do imaginado e reuniões e encontros familiares e com amigos estão acontecendo virtualmente. Para vocês terem ideia, alguns bares da capital paulista começaram até a promover baladas on-line.
No último domingo foi aniversário do meu sogro e os festejos da ocasião e destinados ao sr. Osvaldo aconteceram nesse novo formato com ele o Fê em sua casa e nós por aqui mesmo.
Confesso que achei bem impessoal e fria essa maneira de confraternização, mas aderi à nova proposta para não furar a quarentena. Entretanto, fiz questão de fazer o seu bolo de aniversário e optei por um pão de ló feito com fécula de batata, recheado com creme branco e pedaços de abacaxi fresco e cobertura de chantilly.
E depois da delicia esfriar por algumas horas na geladeira, eu a coloquei em uma caixa de papelão, passei uma fita amarela e a enviei através de um carro de aplicativo pedido pelo celular. O difícil foi fazer vista grossa, segurar a saliva que estava escorrendo e despachar o bolo para a dupla dinâmica sem retirar uma única migalha ou mesmo lamber a sua cobertura. Haja força de vontade!
No horário marcado, todos nós sentamos diante das câmeras para jantarmos juntos e depois cantarmos os parabéns. Percebi um esforço do Fê em agradar o pai, pois comprou velinhas para o bolo, encheu algumas bexigas e decorou sua sala de jantar com os balões coloridos.
Para falar a verdade, foi bem difícil acompanhar a degustação dos dois pela telinha porque, pelo visto, o bolo estava uma delícia e a dupla repetiu várias vezes à mesma cena de encher suas bocas com garfadas enormes, há, há, há….
O Fê prometeu que congelaria um pedaço do bolo para mim, mas duvido muito que este termine a semana. Conheço bem os dois formigões que fazem parte da minha vida e tenho certeza de que a sobremesa está sendo consumido até mesmo no café da manhã.
A sessão de tortura foi substituída por outra repleta por latinhas de cerveja do lado de lá e taças de vinho branco do lado de cá. E aí é que a bagaceiragem começou porque pude acompanhar a embriaguez do meu gato, do meu sogro e do meu próprio pai. Afê!
Depois da troca de amenidades e de comentários sobre a atual situação politica do país, eles mudaram de ambiente, deslocando-se para a sala de estar e intensificaram as goladas. O besteirol rolou solto, assim como as enrolações de línguas e a derrocada do trio nos sofás.
Quando eu fui para meu quarto dormir, as câmeras continuavam ativas e observei que o Fê estava babando na almofada depositada no tapete e sendo embalado pelo ronco potente do sr. Osvaldo. Ninguém merece! Pelo menos, papai encontrou o caminho da roça e foi azucrinar o sono da mamãe com o seu trator particular, há, há, há…
Durante a madrugada, eu levantei para ir ao banheiro, dei uma checada no meu celular e pude perceber que a transmissão tinha sido encerrada. Provavelmente, a bateria do telefone do Fê zerou e ele agora está na escuridão da ressaca.
É fato que o álcool tem sido usado como companhia e para amortecer os dias de isolamento social, mas a prática é um perigo! Estabelecer novo ritmo e frequência de consumo não ajudará em nada passarmos melhor pela situação, né!?
Como vocês, eu também rolei de rir com todas as imagens divulgadas de pessoas entornando o caldo em sacadas na Espanha, correndo peladas por telhados americanos ou mesmo, com os apelos feitos pelos idosos em todo o mundo, especialmente aquela velhinha que escreveu um cartaz dizendo que suas latas de cerveja tinham terminado e que ela precisava de mais algumas.
O episodio teve um desfecho hilariante, pois ela foi atendida e seus vizinhos a presentearam com 150 outras latas da bebida fermentada. Se o coronavírus não mata-la, tenho certeza de que a cirrose hepática irá dar um jeito nisso…
Gentéin! Segura a onda! Eu sei que todas nós estamos curtidas e em conserva dentro de nossas casas, mas daí partir para a esterilização interna feita com álcool líquido já é demais!
Sinceramente, espero que nosso prazo de validade seja maior que essa quarentena e que ainda possamos nos encontrar pessoalmente para comemorarmos outras datas festivas como o próximo aniversário da Oxigenada ou outros carnavais, onde as brincadeiras costumam rolar soltas e acontecerem presencialmente.
Beijocas,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução