Ricos de Amor

Eu sempre dou uma chance ao cinema nacional, especialmente porque sei que o primeiro final de semana de exibição é determinante para a permanência da película em cartaz.
No entanto, todo mundo sabe que as salas de cinema estão fechadas no momento, mas as plataformas de streaming, tais como Netflix, Looke, Globoplay, Now, Amazon Prime Video, SPcine Play, Darkflix, MUBI e outras estão disponíveis e conquistando novos assinantes atualmente.
Nelas, a saída de títulos demora um pouco mais do que nos cinemas, ficando acessíveis para serem conferidos ou alugados por meses. Algumas dessas plataformas até divulgam o ranking dos filmes mais vistos no país durante pequenos períodos de tempo.

E foi exatamente isso o que aconteceu com a produção nacional “Ricos de Amor”. A obra começou bem e em poucos dias após sua estreia na Netflix já estava ocupando o terceiro lugar na preferencia dos brasileiros e disputando o tempo livre dos assinantes com produções americanas, espanholas, filmes ganhadores de festivais e indicados ao Oscar.
Eu não sei a razão da comédia romântica ter caído no gosto nacional, mas provavelmente é pelo seu elenco formado por jovens atores como Giovanna Lancellotti, Danilo Mesquita, Jaffar Bambirra, além de Fernanda Paes Leme, Marcos Oliveira e Ernani Moraes.
Outro motivo talvez seja a leveza encontrada na historia contada e de como ela foi amarrada para melhor agradar os telespectadores com situações cômicas e cenas absurdas. No entanto, “Ricos de Amor” é uma película repleta de clichês e situações fictícias já vistas anteriormente.
O fio condutor da obra é o amor entre Teto (Danilo Mesquita) e Paula (Giovanna Lancellotti). Ele é rico, único herdeiro do rei do tomate (Ernani Moraes) e vive em uma fazenda, localizada no interior do Estado do Rio de Janeiro. Playboy no ultimo grau, Teto não quer saber de estudar, nem de trabalhar na empresa da família, mas cai de amores pela estudante de medicina Paula, moça pé no chão.
E para dar aquela barreada na relação, o boy magia decide mentir para sua amada já no primeiro encontro, dizendo que é filho do caseiro, faz cursinho pré-vestibular e tentará uma vaga de estagiário na sua própria empresa.

O imbróglio aumenta ainda mais porque o protagonista resolve trocar de identidade com seu melhor amigo Igor (Jaffar Bambirra), filho de funcionários da fazenda e a situação rende boas risadas de quem está acompanhando a aventura fictícia.
As melhores acontecem com a participação do porteiro do prédio do Rio de Janeiro, interpretado pelo ator Marcos Oliveira, onde seu personagem é subornado para assumir o papel do rei do tomate, especialmente em um jantar de negócios e com investidores estrangeiros.
O filme dá alguns passos na direção de assuntos polêmicos e ainda vistos hoje como episódios de assedio praticado por superiores no ambiente de trabalho, pois Paula é cercada o tempo todo pelo médico responsável pelo hospital universitário em que estuda. Outro personagem que é assediado é Igor, mas nesse caso ele bem que gosta das investidas de Alana (Fernanda Paes Leme).
“Ricos de Amor” levanta aquelas dúvidas da juventude, ou seja, por qual caminho seguir, se devo optar por trilhar os passos profissionais de familiares ou escolher criar o meu próprio destino.
A seu favor, a película conta com artistas carismáticos, bem como boa fotografia, cenas rodadas em vários pontos turísticos da capital fluminense, assim como uma trilha sonora eclética e construída com musicas feitas pelo DJ Alok, além de funk, sertanejo e até com canções que consagraram o grupo “Mamonas Assassinas”. Além disso, o filme foi dirigido por Bruno Garotti, o mesmo de “Eu fico loko”, “Tudo por um pop star” e “Cinderela Pop”.
Para quem quer apenas desanuviar o stress causado pelo confinamento, dar umas risadas antes de dormir e saber como anda a qualidade do cinema nacional, então “Ricos de Amor” é a pedida.

Beijos,
Maria Oxigenada