Auxílio Emergencial

Se eu fosse recorrer a um ditado popular seria: “Isso está dando pano para manga!”. O governo federal anunciou no início de abril uma ajuda financeira as pessoas carentes, trabalhadores autônomos, prestadores de serviço, beneficiários do programa Bolsa Família e tantos outros cidadãos com vulnerabilidade financeira.

Durante três meses, ele irá conceder um auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 para cada um, sendo que mães solteiras, mulheres chefes de famílias, mães adolescentes, pais-solos podem se beneficiar do valor de R$ 1.200,00.

O problema é que a partir do anúncio oficial, filas enormes começaram a se formar diante de bancos e casas lotéricas e aglomerações aconteceram desnecessariamente, justo nesse momento em que o aconselhável é manter distancia de outras pessoas e evitar lugares fechados ou com agrupamentos.
E diariamente eu tenho sido surpreendida com imagens e matérias veiculadas pelos telejornais e internet sobre o assunto, bem como com pedidos de ajuda para receber o auxilio emergencial.

Tudo começou com uma ligação da Maria, empregada aqui de casa. Ela não tem direito ao beneficio porque está registrada e gozando de suas férias anuais, mas entrou em contato para que eu orientasse sua filha sobre como proceder no registro do seu cadastro pessoal.
Para falar a verdade, eu tinha uma vaga ideia sobre os passos que deveriam ser trilhados, então precisei voltar a minha atenção para as orientações dadas por profissionais da Caixa, além de ler algumas matérias informativas.
Na sequencia, eu enviei o link oficial do banco para Maria e expliquei de maneira mastigada como sua filha deveria seguir preenchendo as páginas sequenciais e as informações pedidas. E não é que deu certo!

Semana passada, ela me escreveu agradecendo a ajuda e dizendo que a menina já tinha recebido a primeira parcela do auxilio emergencial e que estava esperando para retirar a segunda na intenção de quitar as contas do mês de maio.
E por causa da boca grande da Maria eu acabei me transformando em referencia no assunto, pois a faxineira da Rita, minha vizinha, e a faxineira da Clarice, mãe do Paulinho, também correram para mim atrás das mesmas informações.
Agora, o que eu estranhei um bocado foi saber que a Letícia e a Ju, minhas amigas, também tinham feito seus cadastros e pedido o auxilio emergencial. Pra que? Que absurdo! Elas são meninas privilegiadas, pois continuam morando na casa de seus pais, nunca passaram fome ou necessidades, não sabem o que é pagar uma única conta doméstica e depois de formadas já engataram alguns trabalhados.
Por curiosidade, eu questionei as duas sobre isso e cada uma justificou de maneira distinta. A Ju me falou que irá usar o dinheiro para o feitio de um curso desejado há meses e a Leticia me disse que vai ajudar no giro da economia através da compra de alguns livros de seu interesse. Não sei se isso justifica, mas pelo menos as duas não gastarão o montante com superficialidades, né!?

Confesso que eu fiquei tentada em partir para a ação e tentar a sorte, mas passado alguns segundos de reflexão, onde estive dentro de um pequeno conflito ético, eu enterrei o assunto por completo, arregacei as mangas do meu dólmã rosa de oxigenada confeiteira e passei o dia me divertindo entre bolos, sobremesas e montando cestas de café da manhã para o domingo especial das mães.
E se vocês querem saber de outra verdade: eu não me arrependo das minhas escolhas, não! Eu simplesmente quero deitar a minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente, sabendo que não prejudiquei e nem tirei o direito de outra pessoa que realmente esteja precisando de ajuda financeira e não tem a quem recorrer nesse momento.
Nós vamos juntas superar essa crise econômica! Cada uma a sua maneira e usando a criatividade a favor e como verdadeira arma auxiliadora e emergencial para o desenho de um futuro melhor!

 

Tamo juntas!
Maria Oxigenada